Qual é o seu ritmo?

O ritmo está presente em todas as esferas da vida, podemos observá-lo nas estações do ano e até no inspirar e expirar da nossa respiração. O ritmo faz parte de um movimento orgânico, fluido, harmonioso que, ao ser respeitado, nos traz vitalidade e saúde.

Faz parte do processo de autoconhecimento reconhecer e cuidar do próprio ritmo, para isso é essencial nos observar e perceber o que nos faz bem e o que é saudável para nós. É uma prática de autocuidado aprender a sentir e a ouvir as mensagens sutis que nosso corpo nos dá, para que assim ele não precise gritar através do mal-estar e da doença.

Nosso corpo conversa conosco, precisamos silenciar e aquietar para saber o que ele quer nos dizer. Nosso coração fica quentinho quando fazemos algo que nos faz bem, aperta quando algo contraria aquilo que é importante para nós. O corpo também diz quando necessita de descanso, tentar negligenciar essa necessidade básica certamente não será sustentável, pois faz parte do ritmo o equilíbrio natural entre pausa e movimento.

Cuidar do sono, do relaxamento, do trabalho, do estudo e da alimentação são formas de se atentar para esta organização interior. Quando nos desconectamos dessa ordenação, podemos passar por estados de ansiedade e estresse, como um pedido do nosso corpo para voltarmos ao nosso eixo.

Sim, há um desafio em equilibrar nosso ritmo interno com o ritmo externo, que muitas vezes é ditado pela velocidade, pela alta performance e por uma produtividade que beira a exaustão, na chamada “sociedade do cansaço” conforme muito bem descrita pelo filósofo e escritor Byung-Chul Han.

Em tempos nos quais cronicamente se diz “estou correndo” como um certo sinônimo de status e sucesso, é sábio nos conectarmos com o nosso estado de presença, olharmos para dentro e consultarmos se esse script externo está condizente com o nosso tempo interno, com os nossos valores e estilo de vida.

Caso, nessa pesquisa interna, você sinta que necessita fazer ajustes, novos combinados com você mesmo e com quem está ao seu redor para encontrar a sua cadência, encontre sua forma de fazê-lo.

Quanto mais vivermos em sintonia com este pulsar que naturalmente se expande e se contrai e nos mostra quando é tempo de ir e voltar, acelerar e desacelerar, encontraremos nossa própria sinfonia.

A fala de Brené Brown abaixo me faz lembrar o significado da palavra coragem, isto é, agir com o coração, aquela parte em nós que vai nos guiando de forma genuína para o que realmente necessitamos.

“Requer coragem dizer sim para o descanso em uma cultura onde a exaustão é vista como um símbolo de status.”

Andressa Miiashiro

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e facilitadora de grupos.

Artigo publicado no blog Antroposofia ZN em 29.12.19

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