A maturidade e a jornada interior

O que é maturidade? Quando começa?

Este tema, pode ser abordado por diversas perspectivas, não é?

Minha partilha se desenvolverá através do olhar da Antroposofia e do amadurecer como uma jornada interior, onde o declínio físico abre espaço para novas aprendizagens, transformações e ressignificações, dando vida a arte de amadurecer.

Trarei aqui um brevíssimo panorama da maturidade iniciando pelo 6º setênio, já que por volta dos 35 anos começa-se a sentir um certo desgaste físico, mas por outro lado, uma ampliação da consciência. Aos 37 anos a missão de vida torna-se cada vez mais aparente, 42 anos a conexão espiritual vai se fazendo mais presente ao mesmo tempo em que se vivencia uma das crises mais profundas, a existencial.

7º setênio, 42 aos 49 anos, a autenticidade pode ganhar ainda mais forma, dado que há muita força de realização. Padrões antigos podem ser deixados de lado e novos valores de vida e espirituais podem emergir.

8º setênio, 49 aos 56 anos, a sabedoria desta fase está em encontrar um novo ritmo, considerando os limites físicos. O fim deste setênio marca uma passagem para a aceitação de um outro patamar da maturidade, que pode ser muito rica, afinal muitas das grandes obras da humanidade, de escritores, músicos e outros foram compostas após os 60 anos.

9º setênio, 56 aos 63 anos, é saudável chegar neste período de vida com a prática de um hobby, um planejamento para o que fazer após a aposentadoria, o cultivo de novos aprendizados e autodesenvolvimento. A aprendizagem  gera renovação! Bom momento também, para se fazer uma retrospectiva e se perguntar: O que consegui realizar? O que ainda desejo desenvolver?

10º setênio, 63 aos 70 anos, nesta etapa há a possibilidade de novas combinações, maior ligação com a intuição e desejo para efetuar mudanças radicais. É possível vivenciar aqui uma crise que vem com a intenção de encontrar uma maturidade mais cheia de sentido.

11º setênio, 70 aos 77 anos, pode surgir uma força mais intensa de amor, que ajudará a superar a tendência ao isolamento comum a este período. Aos 74 anos, há um marco da velhice para a senilidade, onde novamente, há a necessidade de uma nova adaptação.

12º setênio, 77 aos 84 anos, a paciência por sua vez poderá contribuir muito para lidar com as dores e a serenidade para superar obstáculos. Os sentidos vão se enfraquecendo, enquanto que pode existir uma elevação através da imaginação, inspiração e intuição, os três graus do conhecimento espiritual.

E após os 84 anos? A jornada continua, cada vez mais está se tornando corriqueiro completar 90 anos. E os centenários por sua vez, surgindo como pontes entre os séculos. E com isto vem a reflexão.

Como podemos cultivar o autocuidado de forma integrada, para que possamos apreciar o nosso amadurecer?

Encerro com Olavo Bilac…

Não choremos, amigo, a mocidade!

Envelheçamos rindo!

Envelheçamos como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,

Agasalhemos os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padecem! 

Andressa Miiashiro.

Psicoterapeuta, orientadora de carreira e facilitadora de grupos.

*Artigo publicado no Blog da Antroposofia ZN em Maio de 2019.

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